sexta-feira, 1 de julho de 2011

Gerações Y e Z - Novos paradigmas de consumo

Nos meios acadêmicos e mercadológicos, há uma ávida corrida por definições de gerações, seja para estudos acadêmicos, seja para estudos sobre comportamento de consumo. As classificações mais aceitas atualmente derivam-se de letras, com a Geração X com os nascidos entre 1960 e 1980, a Geração Y com os nascidos entre o final da década de 1970 e 2000 e a Geração Z com os nascidos a partir de 1990.
Apesar de haver uma boa confusão conceitual sobre a qual geração os jovens pertencem, há um consenso que, o final da geração X, a geração Y e a geração Z possuem uma característica em comum, a conectividade virtual.
Esta conectividade tem mudado os hábitos de vida e de consumo desta nova geração. Classifico estas mudanças em três linhas, que, embora distintas, possuem o mesmo pano de fundo.
a) Relacionamentos virtuais: hoje, para desespero de alguns pais, é absolutamente normal os jovens terem redes de amigos virtuais, ou seja, pessoas com as quais há relacionamento por semelhança de idéias, moda, esportes, música etc., mas um relacionamento onde as pessoas não se conhecem no mundo “real”, não há um relacionamento físico e sim apenas uma troca de relações, no começo em sites de bate-papo e programas de comunicação instantânea (icq, MSN, skype) e atualmente em redes sociais, tais como Orkut, twitter, facebook, myspace, dentre outras. Antigamente, a não muito tempo atrás, para haver uma reunião de amigos, havia a necessidade de um local físico, bar, restaurante, residência etc. Hoje não é raro uma reunião em uma rede social, com pessoas de diversos lugares distintos, bastando para isto, apenas um smartphone ou outro dispositivo portátil.
b) Fidelização a marcas: talvez devido a esta onda de relacionamentos virtuais e da velocidade com que as inovações são trazidas nos tempos de hoje, há uma tendência desta geração trocar de escolhas e marcas muito rápido. Hoje já é comum pessoas consultarem sites de dicas de produtos para decidirem, por meio da opinião alheia, se vão comprar algo ou não e, muitas vezes, fazendo isto em tempo real, procurando um bar ou restaurante que tenha o maior número de dicas favoráveis, usando, para isto, redes de relacionamentos atreladas ao GPS dos smarthpones, tais como Socially, Foursquare etc.
c) Fontes de informação: se nos anos 80 e 90 ter uma quantidade grande de informação era ter uma vasta biblioteca, este conceito simplesmente caiu por terra na geração Y. Hoje, a fonte de informação é pública, gratuita e disponível a um toque em mecanismos de buscas na internet, como Bing, Google, Yahoo etc. E isto vale para informações acadêmicas, hábitos de consumo, melhores lojas para compras, melhores lojas de descontos, melhores restaurante, bares e tudo o mais o que esta geração precisa saber para ter um poder maior de tomar as suas decisões diárias.
Enfim, esta geração Y é muito mais complexa do que aparenta, seja nos relacionamentos pessoais, seja nos hábitos de consumo. Empresas que enxergarem isto de modo mais rápido, tenderão a sair na frente na conquista deste novo e cada vez mais exigente público.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Prêmio Top Blog Brasil 2011

Este ano participo novamente do Prêmio Top Blog Brasil 2011. Para votar, basta clicar no selo à esquerda do blog e votar pelo email.
Peço a compreensão e o voto de todos.

sábado, 25 de junho de 2011

O desafio do esporte amador brasileiro - o caso do Basquetebol brasileiro

Daqui a 5 anos, teremos no Rio de Janeiro os Jogos Olímpicos de 2016 e, apesar de todas as atenções estarem voltadas à Copa do Mundo de 2014, temos uma chance real de um verdadeiro fiasco esportivo dois anos depois.
E por que digo isto? Porque para formar atletas para 2016, temos que ter seleções de base fortes e adultas fortes hoje, para que, nos Jogos Olímpicos, termos seleções adultas de excelência. Agora, o que isto tudo tem a ver com finanças? Bem, no esporte, com raras exceções, para termos sucesso precisamos de estrutura e, para estrutura, precisamos de dinheiro. Porém, há um problema anterior, precisamos de atletas dispostos a jogarem estas modalidades e competirem pela seleção brasileira.
Como temos um esporte dominante (futebol), resta aos esportes “amadores” a luta pela segunda posição na preferência popular. E aqui surge um grande dilema, o que leva um jovem a praticar determinado esporte, bons clubes ou uma boa seleção?
Apesar de no futebol, haver uma identificação extremamente grande com os clubes, nos demais esportes, a história mostra que não, que a identificação é com a seleção e não com os clubes.
O vôlei teve um crescimento enorme na década de 80 e um boom na década de 90, justamente quando ganhamos a medalha de prata nas Olimpíadas de 84 e o ouro nas Olimpíadas de 92 e a seqüência enorme de títulos a partir daí. O basquete teve um grande avanço nas décadas de 50 e 60, no bicampeonato mundial e depois com as gerações de Oscar e Marcel no masculino com a vitória sobre os EUA no Pan-Americano de Indianápolis e a geração Hortência, Paula e Janeth no feminino com o título mundial e excelentes participações em olimpíadas. Exemplos parecidos temos no tênis, com o Guga, no judô, atletismo etc.
Hoje, nos esportes coletivos, vejo com maior tristeza o basquetebol (aliás, em parceria com o blog Bala na Cesta - http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/, fiz um trabalho de análise dos balanços da CBB que publicarei aqui em breve), que há anos amarga, principalmente no masculino e agora no feminino uma grave crise de resultados, o que leva a uma diminuição de praticantes, o que leva a campeonatos menos competitivos, com menos patrocínios, gerando menos receita, o que leva a crise de resultados e o ciclo vicioso se retro-alimenta.
Como fazer para melhorarmos o cenário? Hoje os jovens que jogam basquetebol vislumbram um dia atuar na NBA, assim como os jovens jogadores de futebol sonham em jogar na Europa. Porém, uma coisa é esquecida. No futebol, a seleção brasileira é extremamente forte e, quando um jovem é convocado para ela, seu preço no mercado internacional sobe, ou seja, ainda hoje, por mais estruturados que os clubes sejam, ainda é a seleção a maior vitrine dos ativos dos clubes, ou seja, seus jogadores. Se no futebol é assim, por que em outros esportes seria diferente?
No vôlei, temos diversos atletas com excelentes contratos em ligas como italiana ou russa. E, por que isto acontece? Simples, porque são jogadores de seleções vitoriosas, tanto a masculina quanto a feminina, e não porque jogam no Pinheiros, no Florianópolis, no Rio de Janeiro etc., por mais que as ligas masculinas e femininas sejam de alto nível hoje em dia.
Voltando ao basquete, o que vai levar um(a) jogador(a) a ser observado pela NBA ou pelas ligas européias? É o desempenho dele no Franca ou em qualquer clube ou seu desempenho nas seleções nacionais? Por que jogadores como Nenê, Leandrinho, Tiago Splitter e Anderson Varejão estão na NBA? Será que é pelo que fizeram pelos clubes ou pela seleção? Na verdade o pensamento predominante, principalmente do basquetebol brasileiro está equivocado. Se o sonho de um garoto é jogar na NBA, ele precisa ter em mente que, para isto, tem que arrebentar na seleção e não na NBB, que ainda é bastante fraca em comparação a ligas européias e à própria NBA e cabe à CBB tomar providências quanto a isto. Aliás, sobre isto, há um post muito lúcido no Bala na Cesta.
Próximo passo, como deixar o basquetebol mais forte? Atraindo patrocinadores. E, como atrair patrocinadores, como faz o vôlei, por exemplo? Empresa nenhuma, em sã consciência, deseja ter seus produtos vinculados a imagens perdedoras. Enquanto tivermos uma seleção brasileira perdedora (sem títulos), não vamos ter empresas dispostas a investir no produto chamado basquetebol e não vamos seleção forte e, por tabela, uma liga forte. Sem uma liga forte, não teremos clubes fortes, o que não chamará os jovens para o esporte. Logo, a equação é simples. Seleção vencedora = patrocínio = liga forte = mais participantes.
Novamente, vamos ao vôlei como exemplo. Hoje temos uma liga forte, pela consolidação do esporte, mas, se bem me lembro, na década de 90 tínhamos seleções praticamente permanentes, desde a base até o profissional justamente para ganhar títulos e, depois de consolidado, os patrocinadores se interessaram por uma liga forte e, então, começamos inclusive a repatriar jogadores e a trazer estrangeiros de qualidade para os clubes.
Logo, apesar de ser uma idéia não muito aceita nos meios esportivos, que tal seleções brasileiras de basquete permanentes, com estrutura de treinamento profissional, comissão técnica profissional e permanente, mescladas com jogadores que já atuam em grandes ligas e deixarmos os clubes como formadores de jogadores para a seleção? Sei que deixaríamos a NBB mais fraca tecnicamente no curto prazo, mas, com uma chance muito boa da seleção começar a fazer campanhas melhores em campeonatos mundiais, não digo sermos campeões de maneira rápida, mas, começarmos a disputar medalhas, ou quartos e quintos lugares e não como hoje, quando vibramos com uma sétima ou oitava colocação, ou, pior ainda, vemos que temos chances bastante reduzidas de classificação para os jogos olímpicos em um esporte que tantas conquistas já nos proporcionou.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Perspectivas para Inflação no Segundo Semestre

Nos últimos meses, o tema inflação voltou a fazer parte do cotidiano do noticiário econômico brasileiro. O que era um problema secundário meses ou anos atrás, passou para uma das principais preocupações nacionais.
A escalada da inflação recente teve três grandes vilões: alimentos, combustíveis e gastos públicos. E a grande questão é: como estes elementos se comportarão nos próximos meses?
Os alimentos, principalmente carne e commodities agrícolas, com exceção do arroz, tiveram altas acentuadas desde o começo do segundo semestre do ano passado. Em minha opinião, para a grande maioria dos alimentos, o preço chego no teto, sendo que os preços ou cairão, ou permanecerão constantes, apenas com oscilações normais de curto prazo.
Já os combustíveis, temos que separar a questão em duas, álcool e petróleo (gasolina e diesel). O álcool está com uma forte tendência de queda, pelo início da safra de cana de açúcar. Entretanto, esta queda deverá continuar por mais um mês ou dois no máximo, sendo que, após este período, a tendência é se estabilizar, mas em patamares menores do que os atuais. Por sua vez o petróleo está com um comportamento errático e os analistas não se aventuram com previsões muito confiáveis, visto que inúmeros fatores têm afetado sua cotação, como os conflitos políticos no Oriente Médio e a crise que ainda assola a Europa e os Estados Unidos. Portanto, o petróleo pode se tornar uma das grandes incógnitas para o segundo semestre e, infelizmente, não há nada que o governo brasileiro possa fazer, a não ser conter o repasse desta variação brusca nos preços do petróleo nos preços dos combustíveis brasileiros, pelo poder monopolista detido pela Petrobrás, o que é uma solução paliativa de curto prazo, mas que pode ser bastante eficaz.
Finalmente a questão do gasto público manda sinais contraditórios. No início de seu mandato a presidente Dilma anunciou um corte de gastos de 50 bilhões de reais em despesas correntes e que isto seria suficiente para equilibrar as contas do governo. Por um lado, não conseguimos ver esta redução afetando preços e alguns analistas desconfiam se esta redução é para valer ou se ficará apenas no discurso. Por outro lado, vemos alguns setores da máquina pública com problemas de funcionamento, principalmente no que tange a passagens aéreas e diárias de trabalho para servidores, o que pode vir a afetar alguns setores da máquina pública.
Para finalizar, uma nova variável estará presente no segundo semestre: dissídios salariais. Por mais paradoxal que seja, quanto mais aumento o trabalho conseguir em negociação de acordos coletivos, maior será o fantasma inflacionário, pois, quanto mais renda o trabalhador tiver para gastar, maior a probabilidade dos preços aumentarem.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Falando um pouco sobre greves em serviços públicos

De tempos em tempos, a população é surpreendida com greves e paralisações de serviços, principalmente nos serviços públicos.
Podemos citar como exemplo a cidade de Blumenau-SC. Nos últimos dez dias, a população sofre com um festival de greves no serviço público.  Professores da rede estadual de ensino e os servidores municipais estão de braços cruzados reivindicando melhores condições de salário.
Em um olhar superficial, podemos considerar as duas greves da mesma maneira, ou seja, servidores públicos querendo melhores condições salariais. Entretanto, a situação é completamente diferente.
Os professores da rede estadual de ensino lutam, dentre outras coisas, pelo recebimento do piso nacional para os professores, algo que o STF já determinou como legal e já ordenou aos governos federal, estaduais e municipais o efetivo pagamento. Logo, o que os professores da rede estadual buscam é apenas e tão somente o cumprimento de uma decisão já tramitada em julgado.
Por sua vez, os servidores municipais de Blumenau receberam como oferta um reajuste de 6,3% de salário e mais 12,5% no vale alimentação, correspondente à inflação do ano passado e desejam receber um aumento de 37% no salário e mais 37,5% no vale alimentação.
Sem entrar no mérito político da questão, olhando pelo aspecto financeiro o pedido dos servidores municipais é um disparate. No ano de 2009, o município gasto, só com folha de pagamento e encargos, cerca de 230 milhões de reais. Assumindo que em 2010 o valor tenha se mantido constante, pois os números finais não foram divulgados ainda, este aumento de 37%, fora o aumento no vale alimentação, produzirá um impacto de mais de 85 milhões de reais em 12 meses, o que dá, aproximadamente, 7,2 milhões de reais por mês.
E aqui surgem alguns questionamentos: quais categorias profissionais que obtiveram um percentual deste de reajuste salarial? Com exceção dos vergonhosos aumentos nas altas instâncias do Poder Público, não conheço categorias públicas ou privadas com este reajuste salarial nos últimos anos. E mais importante do que isto, o poder público blumenauense possui folga financeira para isto? E será que a sociedade blumenauense aceita destinar 85 milhões de reais do orçamento anual para o estrondoso aumento do funcionalismo, retirando de áreas como saúde, educação e obras que toda e qualquer cidade tanto precisa?
Para finalizar, podemos dizer que existem greves e greves, algumas justas, outras chegando ao limiar de serem abusivas com o bom uso dos recursos públicos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Polêmica do Livro Didático do MEC - Por uma vida melhor

Nos últimos dias temos visto uma polêmica enorme sobre a adoção do livro “Por uma vida melhor” pelo MEC para cursos de Educação de Jovens e Adultos. Isto se deve ao fato que o livro, ao tratar da diferença entre linguagem falada e linguagem escrita, afirma que, na linguagem falada (coloquial), não haveria problemas com o uso de expressões do tipo “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” na linguagem falada.
Como ressalva, o livro, em nenhum momento, afirma que esta espécie de frase é aceita na norma culta, bem como este tipo de frase é aceita apenas na linguagem falada e não na escrita. As autoras do livro defendem que tratar desta questão abertamente diminuiria o preconceito contra alunos que falam uma linguagem popular. Se formos considerar uma educação de jovens e adultos que há anos ou décadas não freqüentam a escola, tal raciocínio pode ser válido, principalmente nas primeiras semanas de aula.
O maior problema disto tudo é que no Brasil, infelizmente, adoramos fazer generalizações e extrapolar este assunto para a educação de forma geral e aqui eu vejo um enorme problema. Adotar este procedimento na educação básica e fundamental é uma sandice. Muitos especialistas e o próprio MEC dizem que isto diminuiria o preconceito, porém, em minha visão, isto aumenta o preconceito, pois a sala de aula deve ser o reflexo da sociedade e não uma ilha isolada do mundo.
Será que as crianças e jovens serão incentivados a falar um português mais correto se lhes forem dito que falar fora dos padrões da língua culta é algo aceitável? Como uma empresa reagiria, selecionando um funcionário para um cargo intermediário, se o mesmo utilize a língua coloquial, tal como “nós vai pegar as coisa”? Não estaríamos condenando este jovem a sempre ter um emprego de baixa remuneração pois o mercado acabaria o excluindo-o das melhores funções?
É claro para mim que não se deve exigir que a escola fundamental ensine o português de Machado de Assis para nossas crianças, porém, a simples aceitação de erros de concordância, regência etc  como sendo algo natural e aceito na linguagem falada já é um pouco demais.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

União Estável Homoafetiva


No último dia 04 de maio foi reconhecida, pelo STF, a união estável para casais do mesmo sexo. Não vamos aqui entrar na questão moral ou pessoal, se isto é algo bom ou ruim, mas, tão somente, discutir o processo e as conseqüências econômicas deste fato.
A grande barreira ao reconhecimento da união estável homoafetiva estava no conservadorismo da sociedade brasileira, representada, em grande parte, por questões religiosas. Para não perder o voto conservador religioso, os políticos simplesmente ignoravam o tema.
Entretanto, alguns fatos contribuíram para que o tema voltasse à pauta política brasileira. A sociedade em geral passou a ser menos intolerante com a questão, filmes e séries televisivas internacionais começaram a abordar o tema de modo mais explícito, a televisão brasileira, mesmo que de modo incidental, também começou a inserir o tema em sua programação.
Na década de 90, começou a surgir em São Paulo, de maneira tímida, um movimento que foi um verdadeiro divisor de águas, denominado popularmente de Parada Gay. O movimento teve um crescimento vertiginoso e, nos tempos atuais, reúne milhões de pessoas na Avenida Paulista e, o que é mais importante, é o segundo evento que mais movimenta dinheiro na cidade, perdendo apenas para o Grande Prêmio de F1.
O mercado não teve como ignorar o surgimento de um nicho importantíssimo de clientes, com características únicas e excepcionais para o mercado, com renda e poder de compra acima da média nacional. Isto representou uma mudança de paradigmas em alguns segmentos de mercado, como na prestação de serviços turísticos, aceitando casais homossexuais em quartos de casal, criação de eventos temáticos voltados ao tema, construtoras oferecendo cada vez mais apartamentos para casais sem filhos, com salas amplas para receber os amigos em casa e com outras características voltadas, principalmente, ao público homossexual.
Portanto, temos pela frente uma nova realidade. O mercado homossexual não é mais uma simples tendência e, com a união homoafetiva definitivamente aprovada, novas oportunidades de negócio serão abertas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ética Fiscal de cada dia

Está circulando na internet um email com um texto chamado “Diga não à Nota Fiscal Legal”. O texto ataca o projeto do governo do DF de Nota Fiscal Eletrônica, semelhante ao projeto da Nota Fiscal Paulista e que, provavelmente, se espalhará pelo país inteiro. O funcionamento é bastante simples, o estabelecimento insere o CPF do consumidor na nota e este recebe um bônus para abatimentos em tributos estaduais ou municipais. A lógica é de incentivo à solicitação de Notas Fiscais, pois, quanto mais consumidores exigirem notas, menor a possibilidade de caixa dois nas empresas e maior tende a ser a arrecadação.
Porém, este texto absurdo trata dos seguintes “problemas”:
a) o bônus para abatimento dos tributos é pequeno. Bem, considerando que hoje não há nenhum incentivo, qualquer abatimento é válido. Além do mais, é obrigação do estabelecimento a emissão destas notas.
b) com o CPF na nota, o governo conseguiria saber onde, quando, e, principalmente, quanto gastamos. Em tese, se o governo realmente cruzar os dados, isto é possível. Isto vai fazer com que a sonegação por parte das pessoas físicas diminua. Eu, particularmente, não tenho nada contra isto. Tenho 100% da minha renda declarada e com imposto de renda retido na fonte todo mês, logo, qual o problema se o governo souber o montante que gasto em minhas compras?
c) o texto reclama que os serviços públicos são ruins, logo, devemos sonegar tributos e colaborar com a sonegação empresarial. O raciocínio está totalmente enviesado e manipulado. O Estado necessita de dinheiro para manter a máquina pública e fazer investimentos. Se a sonegação diminuir, o bolo tributário será mais bem distribuído e o governo pode começar a diminuir a tributação sobre salário e outras rendas. E, se o serviço público é ruim, o que concordo, cabe a nós exigir sua melhora e não sonegar tributos. E quanto à corrupção, também é de nossa responsabilidade eleger melhor nossos representantes na hora do voto.
Finalmente, engana-se quem pensa que os empresários irão à falência se pagarem seus tributos. Hoje já há empresas que trabalham com emissão de nota fiscal em 100% de suas operações e são bastante prósperas.
Além disto, trabalhar sem sonegação de tributos via não emissão de Notas Fiscais traz uma grande vantagem ao empresário. Se uma empresa possui caixa dois, a contabilidade não terá condições de expressar a real condição econômico-financeira, pois registra apenas o que é documentado. Com isto, o empresário perderá uma importante ferramenta de auxílio à gestão empresarial e poderá vir a descobrir que a contabilidade não tem como função apenas o pagamento de tributos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dia da Educação


No último dia 28 de abril, foi comemorado, no Brasil, o Dia da Educação. E temos motivos para comemorar ou para lamentar? Creio que ambos. Alguns aspectos são para comemorar, outros para se lamentar e lutar por melhorias.
Dentre os pontos para comemoração, destaco a melhoria do desempenho da educação, principalmente no ensino básico e fundamental, com queda nos indicadores de analfabetismo e constantes avanços em indicadores tais como IDEB e similares. Entretanto, um item merece cada vez mais destaque: nunca a sociedade esteve tão envolvida na cobrança por melhorias na educação. Mesmo estando longe do engajamento necessário por parte da população, definitivamente o tema entrou na pauta política do país e este é o primeiro passo para um real avanço de todo o sistema.
No ensino superior, também podemos observar um crescimento e uma melhora no setor. Por mais que ainda tenhamos cursos de qualidade duvidosa, a qualidade média dos cursos superiores de graduação, mestrados e doutorados brasileiros aumentou bastante nos últimos quinze anos. Quando falamos da realidade local no Vale do Itajaí, Santa Catarina, podemos perceber na Universidade Regional de Blumenau - FURB, cursos de alta qualidade, sendo que alguns, inclusive, com alto reconhecimento no Brasil, tanto em nível de graduação quanto mestrado e doutorado. Além disto, também observamos uma inserção cada vez maior de programas de Mestrado e Doutorado em publicações científicas de primeira linha a nível mundial em uma velocidade digna de nota.
Porém, muita coisa ainda precisa melhorar, principalmente na educação básica e fundamental. O ponto mais delicado, a meu ver, é a remuneração do professor de ensino básico e fundamental. Tempos atrás, foi definido um piso mínimo nacional para os professores, no valor de R$ 1.187,97 brutos, o que gera, aproximadamente, R$ 1.050,00 líquidos e não, vocês não leram errado, o valor é este mesmo, o que dá, em média, R$ 48,00 por dia, se considerarmos uma média de 22 dias úteis por mês. Para efeitos de comparação, muitos empregos que exigem menor qualificação do que de um professor recebem salários maiores do que isto. Para piorar, cinco estados contestaram a lei, por considerar o salário muito alto e, pasmem, o desenvolvido e próspero estado de Santa Catarina foi um deles.
Diversas pesquisas apontam para a queda de procura por cursos das áreas de licenciaturas, que atuam na formação dos futuros professores de ensino básico e fundamental. A razão é muito simples: quantas pessoas conhecemos que desejam fazer um curso superior, muitas vezes difícil e custoso para ganhar menos de R$ 50,00 por dia de trabalho?
Se a questão da remuneração não for seriamente debatida e resolvida, podemos caminhar para uma nova queda de qualidade no ensino no médio prazo, pela simples incapacidade de reposição de professores em nossas escolas públicas, fazendo com que a diferença entre o ensino público e privado aumente cada vez mais, tornando maior ainda o abismo social existente no Brasil.
Além da remuneração, outros fatores educacionais precisam melhorar, tais como segurança nas escolas, condições de trabalho, incentivo a ensino técnico etc, assuntos a serem tratados em outra oportunidade.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Demonstrações Contábeis de Clubes de Futebol

Nesta semana encontrei uma notícia interessante e fui verificar e é realmente verídica. A Federação Paulista de Futebol coloca em seu site as demonostrações contábeis dos clubes de futebol a ela vinculadas, além de suas próprias demonstrações.
Isto é um material riquíssimo para pesquisas, visto que as finanças dos clubes de futebol normalmente é uma grande caixa preta e, apesar de serem obrigados a publicar suas demonstrações, muitas vezes é tão escondido que é, virtualmente, impossível encontrá-las.
Espero nas próximas semanas postar algo sobre análise destas demonstrações. O link para acesso às demonstrações é o http://www.futebolpaulista.com.br/balanco.php?sec=156.
Parabéns à Federação Paulista de Futebol por esta iniciativa de transparência e evidenciação das Demonstrações Contábeis do futebol paulista. Se todas as federações fizessem este procedimento, com certeza poderiam ser feitos trabalhos mapeando a situação nacional do futebol brasileiro. Quem sabe, um dia...
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